Vidigal se firma como novo point da noite carioca

A gente já disse aqui que o Vidigal é o novo point da noite carioca, e os grandes responsáveis por essa bombação toda são: a produtora da festa LUV, Nicole Nandes, e o dono do albergue Alto Vidigal, o austríaco Andreas Wielend. Os dois têm agitado festas frequentes na favela pacificada em novembro e arrastado membros da comunidade e do asfalto para curtirem um som nas alturas, literalmente.

Já tem um ano e meio que Andreas abre seu hotel, Alto Vidigal (que fica no Arvrão, no topo do morro) para festas. As primeiras festas reuniram 200 pessoas, mas logo essa quantidade de cabeças dobrou e, hoje, festas como Digitaldubs, Voodoohop e Botafogo Social Club levam mais de 500 cabeças para lá.

- O Vidigal está virando um lugar diferente, com mais turistas, mais artistas. As festas também estão crescendo. Há muitas festas com playboys, geralmente na parte de baixo do morro, e festas com moradores da comunidade. As nossas são conhecidas por ter um público bem misturado – comenta Andreas, que tem do outro lado da janela a vista mais bonita do Rio, com as praias de Ipanema e Leblon e a Lagoa Rodrigo de Freitas no campo de visão.

Cada vez mais festas se interessam por ocupar a Casa Alto Vidigal. Os agitos Klax e Botafogo Social Club farão edições por lá em breve e, além disso, todo domingo rola um churrasco pós-praia com a DJ Mahara Belgrano, a partir das 16h. A entrada é gratuita. Andreas, porém, jura que essa empolgação com o local não tem nada a ver com a pacificação do Vidigal.

- As festas já enchiam antes de pacificação, então, para mim, não mudou muita coisa – afirma o austríaco “acariocado”.

Já para a produtora Nicole Nandes, que, com a ajuda dos seus parceiros do Coletivo Lamparina, promoveu quatro edições da festa de hip hop LUV na Oficina do Jô, a chegada da polícia ajudou, sim, na ocupação do espaço por festas produzidas pela galera de fora da comunidade.

- Agora, quem é do asfalto sente segurança para subir. Antes, os eventos eram para a comunidade. Inclusive, minha intenção ao levar a LUV para o Vidigal foi fazer mais gente da Zona Sul subir o morro para conhecer a realidade e trocar experiências com as pessoas da comunidade – diz ela, que, em três anos de existência da LUV, já promoveu a balada nos clubes 69, 00 e Fosfobox.

Para Nicole, o motivo dessa paixão repentina da galera da Zona Sul pelo Morro Dois Irmãos é fácil de entender. Segundo ela, a noite carioca carece de novos locais para festas e a comunidade que fica entre São Conrado e Leblon satisfez o desejo por um local inusitado. Apesar da euforia em torno desse novo espaço conquistado, Nicole, que considera o Vidigal como sua segunda casa, aponta que, se a ocupação do território for apenas reflexo de uma modinha, ela não é bem-vinda.

- A chegada das UPPs ajudou a transformar em moda as festas na favela. Tem gente frequentando só pelo hype e gente fazendo festa só para gringo e playboyzada, um pessoal que nunca se preocupou com a comunidade. Isso é triste.

Completamente avessa ao clima de “oba oba”, Nicole toma a decisão de não mais realizar a LUV no Vidigal. Mas, calma. Antes disso, ainda rolam algumas festas por lá: a próxima será em maio.

- Gosto de descobrir novidades, fazer o que ninguém está fazendo… Como tudo o que dá certo, o Vidigal virou moda, então é bem provável que a missão por lá esteja bem próxima de acabar – adianta ela.

Nicole e Andreas convidam todos a subir o Vidigal e dançar ao som do batuque eletrônico, mas desde que a paixão pelo morro não seja apenas fogo de palha.

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